Sobre o turismo eterno.

terça-feira, 4 de agosto de 2009


Eis que disse o poetinha: "que seja eterno enquanto dure". Muito embora diante do contexto romântico em que se manifesta o sábio dizer, aplicável não só a relacionamentos, a duração dos eventos humanos, qual seja a vida o principal deles, não se mede em escalas estabelecidas, que denotam tempo.

Pois que a vida, vista além dos acontecimentos naturais que marcam o seu início e término, é imensurável, e incontabilizáveis são as conseqüências de sorrisos, lágrimas e emoções vividas por seres que habitam essa pequena pensão e logo vão embora, sendo substituídos por novos companheiros que se hospedam diariamente.

Viver não é simplesmente acordar, estudar, trabalhar, dormir para então despertar novamente. Viver é a conseqüência natural de ser espontâneo e original, é algo de que não se pode fugir: quando se nota, todos os hóspedes deixam suar marcas na estalagem.

De modo que, uma vida eterna não é aquela que nunca viu caírem as lágrimas da despedida, mas sim a que se perpetua na lembrança, nas mudanças que trouxe ao mundo.

A vida é muito intensa pra ter fim, e antes que se pense que tudo está acabado, a vida está lá, fazendo turismo por tantas hospedagens, do lado de fora da que estamos, que jamais, de dentro dos nossos quartos, poderemos ver...

E assim, depois de distribuirmos nossos sorrisos e alegrias por essa estalagem, logo iremos deixá-la, a fim de explorar a imensidão que foi construída para nós.


Por Arthur Barbosa

1 comentários:

Amor eninha disse...

Perfeito !

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